mae que quero ser

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Que exemplo estamos dando aos nossos filhos?

Faz algum tempo que aconteceu, mas eu sempre me recordo dessa cena.

Estava com o Pedro num parquinho, ele brincando no balanço. Por acaso era o único balanco que estava funcionando, pois o outro que havia ao lado estava quebrado. Outras crianças brincavam no escorregador, gira-gira, enfim, tudo dentro do normal.

mae que quero ser

Eis que chega uma menina de uns 3 anos (Pedro também tinha essa idade na época) para brincar de balanço. Quando ela percebe que o balanço vago estava quebrado, sem condições de uso, logo se volta para o balanço em que Pedro estava, e fala para sua mãe, que vinha logo atrás: “mãe, quero brincar no balanço!”. 

A mãe da menina teve uma atitude que eu jamais teria. Ela disse: “filha, pede pro amiguinho deixar você ir no balanço um pouquinho…”. A garota obedeceu, e pediu para ir no brinquedo. Como Pedro ignorou completamente a fala dela, a menina se voltou para a mãe, com um olhar que pedia providências.

Foi nesta hora que eu intervi.

Abaixei na altura deles e me dirigi ao meu filho: “filho, você quer brincar de outra coisa? A amiguinha quer brincar no balanço.” Pedro respondeu com um certeiro e sonoro “Não!”. Ele queria continuar no balanço.

Então, me dirigi à menina e disse: “ele chegou primeiro que você e quer continuar no balanço. Você precisa esperar a sua vez.”

Mãe e filha me olharam incrédulas! A criança sem entender nada, talvez por estar acostumada a ter suas vontades de pronto atendidas. E a mãe chocada por que eu não tirei meu filho do balanço para dar o lugar para a filha dela. 

Jamais eu teria tirado meu filho do brinquedo que ele escolheu para ceder para outra criança usar. É certo que devo ensinar meu filho a compartilhar os brinquedos, assim como aquela menina precisava aprender a valiosa lição de que na vida não podemos ter tudo que queremos na hora que desejamos. É preciso aprender a esperar nossa vez. A filha dela não era melhor que o meu filho para que eu o retirasse do único brinquedo que ele queria brincar e cedesse o lugar a ela. São duas crianças iguais, com os mesmos direitos e sujeitas às mesmas regras. Se o meu filho chegou primeiro ao brinquedo, ela que esperasse o momento dela brincar, porque assim é a vida.

Para mim não faz nenhum sentido privar meu filho do brinquedo para dar-lhe a outra criança. Eu não quero que meu filho cresça achando que suas vontades não podem ser respeitadas, que ele deve ceder seu lugar sempre para os outros, que os outros merecem mais. 

Pelo contrário. Quero que ele aprenda a se impor na vida, com educação e respeito, claro, mas sem se rebaixar para ninguém. Saber dividir e saber esperar, dois valores igualmente importantes, e que cada criança deveria ser ensinada para praticar sempre.

Depois do que eu disse, a mãe chamou a filha e saíram do parquinho, não as vi mais. Até acho que a criança teria aceitado brincar com outro brinquedo se a mãe tivesse oferecido, mas ela preferiu sair naquele momento, certamente achando estar coberta de razão, afinal, como aquele menino não saiu do balanço para a filha dela poder brincar?

mae que quero ser

Se tem um tipo de mãe que não quero ser é: aquela que não enxerga as lições que seu filho precisa aprender na vida.

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( Atualizado em: 30 de agosto de 2019 )
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